quinta-feira, 27 de novembro de 2008



Segunda Versão da Resenha





(2.249)
Uma Forma de Linguagem: O Erro Que Não É Um Erro
Arthur Rizzi Cintra


A Língua de Eulália, de Marcos Bagno (Contexto, 1997), nos leva ao mundo da sociolingüística, para discutir diferentes usos da língua, isto é, refletir sobre o erro defendendo a idéia de que nem sempre o que achamos errado de fato o é. O equivoco ocorre quando sem saber as pessoas julgam antes de saber os motivos pelos quais determinadas pessoas falam de maneira que consideramos errada. Afinal o modo de falar tem estreita relação com a cultura onde a pessoa viveu. Então o que é errado é apenas um modo diferente de viver, uma cultura diferente.
Essas idéias são colocadas no livro de Bagno por meio de uma história, em que três jovens estudantes de diferentes cursos, Letras, Pedagogia e Psicologia, fazem uma viagem ao sitio da tia de uma delas que é professora. Lá conhecem Eulália amiga de muitos anos e empregada da professora. Com o passar dos dias e uma maior interação convívio entre elas, as estudantes estranham seu modo diferente de falar e analisam com atenção sua forma de falar, uma forma diferente, não considerada a correta.

A partir de então, a professora passa a conversar e “discutir” com as jovens a forma de linguagem que Eulália utiliza. Assim, as jovens vão percebendo cada vez mais que essa forma de linguagem não é errada, pois Eulália traz em sua fala um vocabulário do meio em que viveu e as jovens descobrem que é difícil alguém falar o português de uma maneira padrão, afinal nossa língua é composta por diferentes dialetos e diferentes línguas. Não conseguimos até hoje compreender de forma clara o português falado em Portugal, será que somos capazes de julgar quando o que se diz está correto?

Neste livro, o autor nos ensina a lidar com diferenças lingüísticas através de uma leitura fácil e prazerosa. E assim percebemos o quanto nos precipitamos ao avaliar o que está certo ou errado. Bagno nos ensina que todas as palavras e formas de expressão têm sua origem e há sempre uma explicação para isso seja social, cultural, ambiental, histórica ou lingüística. Ele nos mostra que existem diferentes modos de aprender a se comunicar, expressar, sem ser aquele que é aprendido na escola e que consideramos o correto por ser a língua padrão.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SEGUNDA VERSÃO DO ARTIGO DE OPINIÃO
(2.349)
PRESERVAÇÃO DA CULTURA E PADRÃO COMUM
Arthur Rizzi Cintra

Não é fácil tratar da linguagem oral sem entrar em algumas discussões. Sabemos que cada região do nosso país tem sua própria maneira de falar, isto é, cada região traz com ela sua cultura, seu dialeto, seu modo de viver e de se relacionar com o mundo, se comunicar. É comum avaliarmos e corrigirmos uma pessoa que diz algo que não está dentro da forma padrão. Ao fazermos isto estamos cometendo um equivoco, pois, na maioria das vezes, não conhecemos a origem das pessoas, ou seja, na sabemos se na região onde ela mora as pessoas têm o costume de falar de determinada maneira. Para essa pessoa está correta a forma como ela diz. Temos que avaliar melhor as condições de formação da pessoa para que possamos compreender sua origem cultural, social e lingüística. Assim, não cometeremos injustiças.
As opiniões variam muito quanto à atitude que devemos ter com relação à variedade lingüística, porém sabemos que não podemos desprezar as condições nas quais as pessoas foram criadas, isto é, todos temos nossa própria forma de falar, estamos todos inseridos em um meio social, com cultura e linguagem própria de nosso ambiente local. Não podemos desvalorizar as culturas de determinados grupos sociais por não serem iguais à nossa. Ao contrário, temos que valorizar as diferenças e compreender que elas têm uma razão de ser. Isso que é muito importante, pois é assim que se cria a identidade de uma sociedade.
Por outro lado, é de extrema importância que se crie uma forma padrão de linguagem oral para que possamos garantir a possibilidade de comunicação entre diferentes grupos dentro de nosso país. Não podemos ir a determinadas regiões do país e não compreender muito bem o que as pessoas estão querendo nos dizer. Com essa língua padrão, o diálogo ficaria mais fácil.
Podemos dizer que é de fundamental importância que se preserve a forma de linguagem oral de todas as regiões do país, preservando a identidade de cada uma. Entre tanto sabemos que é necessário que cheguemos a um mínimo divisor comum para poder estabelecer um diálogo entre todos os usuários da língua. Essa é a função da padronização de certo modo de falar. A existência de uma língua padrão não significa deixar de preservar todas as culturas que se estabeleceram durante anos até construir sua identidade atual.